segunda-feira, 25 de julho de 2022

domingo, 24 de julho de 2022

Noite de castelo

Uma cidade, a noite...
Burburinho, sons perdidos, cascata.
Conversas longas...
Um castelo, duas perspectivas.
Pessoas especiais...





sábado, 23 de julho de 2022

Fortaleza

Aprendemos a observar e a sentir.
A dar tempo ao tempo...
Lentamente as ligações fortalecem-se
e descobre-se como uma fortaleza
irradia uma luz própria e especial.
Dos encontros inesperados.





sexta-feira, 22 de julho de 2022

Árvores

Gostar de árvores faz parte de mim, é-me intrínseco.
Não é algo recente, já que da infância tenho imensas memórias da sua influência...
Hoje em dia, destaco-as fotografando momentos que considero belos: o seu todo, ou pedaços do que são...
Escrevo e crio outros cenários em que são presença.
Velam-me o sono desde a enorme parede-tela.

Se isto não é gostar...

E sim, a preto e branco, para que a imaginação do colorir seja vossa.






quinta-feira, 21 de julho de 2022

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Instante

Levita,
única,
entre a orla do mar,
a terra e o céu...
nesse instante supremo de comunhão.





segunda-feira, 18 de julho de 2022

domingo, 17 de julho de 2022

Respirar

Quando a respiração perturba,
abrandá-la não basta
e,
momentaneamente,
acto de loucura,
suspende-se
a vida,
o tempo,
o ar...
até ao limite do ardor,
do batimento lento,
do aperto:
golfada de prazer.
A respiração retoma o tempo,
a vida retoma o ar.
Ocaso...






sábado, 16 de julho de 2022

Pena

A inquietude de uma pena ...
Até onde irão os pensamentos?
Vulneráveis ao vento,
com um só gesto
libertados
e na ponta dos dedos,
lado a lado,
desejo e escrita,
resplandecem
sorridentes e calados.




sexta-feira, 15 de julho de 2022

Camadas e camadas

Nos dias da rotina, o tempo vai sendo preenchido com amigos e companheiros de trabalho.
Nessa rotina surgem deliciosos intervalos de conversas animadas, ralhetes à volta dos pratos, brindes quase recusados (ai as fotografias), risadas e vinho derramado...
A vida vai sendo composta de camadas e de momentos, uns coloridos, outros mais pálidos, além de uma miríade de emoções, sensações, tentações e até de pecados.

Este foi o pecado da gula.







quinta-feira, 14 de julho de 2022

Lobos

Solitários,
são como lobos,
vagueiam,
livres
na imensidão temporal.
Avançam
de olhar fito no areal
e nas pegadas de ninguém.
Sabem sempre onde vão
nas horas em que o dia cai,
o deus-sol espera-os:
na entrega e na promessa,
na pacificação...






terça-feira, 12 de julho de 2022

A liberdade

A liberdade de uns,
o desespero de outros.

Hoje o ocaso foi rubro, cor de fogo, na praia mais próxima,
ao mesmo tempo que as chamas, incessantes,
lavravam noutros lugares do país.

Às vezes reclamamos de quê...?
Exacto.





segunda-feira, 11 de julho de 2022

Divagações

As impressões sensoriais da realidade reflectem-se no estado interior (e exterior) do indivíduo: a afectividade, a frustração, a incapacidade de ser objectivo face ao que encontra, filiado a conceitos e crenças inflexíveis que desaguam em comportamentos teimosos e bacocos, alguns quase horrendos e tantas vezes descabidos do meio social e humano em que se insere...

A Arte deveria ser beleza e criatividade; a representação de emoções, momentos de monólogo interior partilhados em liberdade e tanto mais que se deseje, e não o palco de fel gratuito em que se transforma...




sábado, 9 de julho de 2022

Pedalar

Final de tarde.
A praia vai adormecendo.
De repente, surgem à minha frente, animadas...
Pedalam ao ritmo dos seus sonhos.





quinta-feira, 7 de julho de 2022

Sentado

Sentado, observa...

Passam impaciências e gritos,
beijos e sorrisos,
fingimentos e alegrias,
brinquedos caídos e birras.

Paixões e arrependimentos,
vida e morte,
a lua, o sol e o tempo,
saudades e esquecimentos.

Infância e adolescência,
homens e mulheres,
fundamentalismos e palavrões,
desrespeito e crítica desmedida.

Sexo e sexualidade,
linguagem livre e desabrida,
feminismo e machismo,
relações e discussões.

Géneros e cor,
manifestações e apoio,
esperanças e igualdades,
respeito e ansiedades.

Políticos e roupa suja,
até dali cheira mal,
pensa e decide
é melhor o lugar inicial:

sentado a soprar.




Nota: escultura de Ricardo Romero
"Sopro", 2020 / Marinha Grande

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Impermanências, de Carla de Sousa

Fevereiro ia quase a meio, quando a querida Carla de Sousa me lançou um desafio: escrever um pequeno texto para a exposição que iria estar patente no m|i|mo - museu da imagem em movimento (Leiria), assinalando os dez anos do seu percurso fotográfico e que teria como título, "Impermanências".
Orgulho, medo, desafio e respeito foram algumas das palavras que, de imediato, saltaram nervosas no meu pensamento. Respirei fundo...

Conheço a Carla há mais de três anos e tem sido uma grande e especial amiga, referência presente e fonte de inspiração. Entre palavras e fotografia, entre amigos e Leiria, as conversas animadas vão surgindo, da mesma forma que os silêncios são cúmplices e apaziguadores e a poesia é espaço amplo de ideias.

Como não é intenção deste apontamento tornar exaustivo o momento, mas antes fazer um leve enquadramento, importa salientar que todos os textos recebidos foram manuscritos pela Carla em folhas de 25 linhas (sim, daquelas azuis!) e ficaram maravilhosos na instalação representativa do efémero e do impermanente.
Claro que havia outras belas e intensas "impermanências"...


Obrigada, Carla de Sousa!


A partilha do texto que escrevi:

E de repente, no espelho do efémero, vejo o reflexo do que já não sou e da minha finitude, imersa na fragilidade quase angustiante do que não tenho.
Dos momentos e dos fascínios vividos e que me acompanham nas gavetas da incerta memória, divago quanto aos que fizeram parte de espaços que continuam disponíveis e plenos de essência; mesmo que já não seja a mesma pessoa, serei capaz de senti-los e vê-los da mesma forma? O que perdurou deles em mim?
Porém, a dolorosa percepção da impermanência, estilhaça os instantes e a transitoriedade procura refúgio no conforto contemplativo da arte.






terça-feira, 5 de julho de 2022

Esquinada

Embevecida
contemplava a parede branca
pintura recente
imaculada.

A luz e a sombra,
(sempre elas)
constantes
desafiantes.

Não há como escapar-lhes...





domingo, 3 de julho de 2022

Anoitece

Anoitece em silêncio.
Aquietados os voos,
o tempo encosta-se
e o ritmo da ondulação
vai trazendo a sonolência...

E nada parece o que já foi.





sábado, 2 de julho de 2022

Pormenores

Durante o dia, imagino possibilidades com o vento,
trauteio liberdade de pensamentos.
À noite, escrevo os sussurros dos búzios lançados no areal...
Coisas de mar.