segunda-feira, 13 de abril de 2020

Desalento

Saiu naquela manhã sem rumo aparente, seguindo durante algum tempo pela calçada. O sol incomodava-a, estava muito forte. Refugiou-se nas sombras das árvores. 
Ao longe contornos retorcidos, gárgulas gritantes. Fechou os olhos, apenas o murmúrio das folhas era superior ao som do seu pensamento. Há quanto tempo não pensava?
Quase adormecida, estremeceu... levantou-se.
Passada incerta, seguiu até lá, indiferente a quem estava, avançou. Mãos atrás das costas, cabisbaixa, foi percorrendo o empedrado na sensação esmagadora do espaço. Reforço da sua pequenez. Apenas a luz dos vitrais atraiu o seu olhar. Arrasta os pés...
A fé dos homens, de ontem e de hoje, circula por ali.
Talvez.
A sua? Há muito que ficou perdida...






(texto de 19.06.2019)